Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010





Domingo, 26 de Dezembro de 2010


Obrigada, Skunk!
Já está a arder...

Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Fonte de Luz




Esta foto chama-se "Fonte de Luz" e foi tirada pela film-m k (http://filma-me-redux.blogspot.com/), que generosamente me enviou, respondendo á sugestão que deixei no final do meu último post.




Obrigada, "film-m k" pela partilha. Esta foto tem o seu significado próprio para ti e ficará a ter um, também para mim. Será sem dúvida uma das coisas que preciso neste momento. Um ponto de luz. Um foco que me permita continuar a recomeçar ou riscar tudo e escrever de novo.

Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Balanço de 2010


Faz hoje um mês...e faço já hoje o balanço do ano todo, só desejando que Dezembro passe depressa:

Janeiro - Tentativa de assalto e ataque com um facalhão de cozinha, quando saía do trabalho

Fevereiro - Falecimento de tia, do lado da minha mãe

Março - Falecimento de tia, do lado do meu pai

Entre Fevereiro e Março - 3 amigdalites fortes seguidas, com toma de 3 antibióticos diferentes seguidos, que me deixaram o estomago e o organismo de rastos; Avaria no PC, mas ainda consegui recuperá-lo.

Abril- Decepções afectivas e caos nos sentimentos e nas acções

De 29 Abril a 31 Julho - Alguns dias coloridos graças ao conhecimento de uma pessoa (aliás duas :) que tentou ajudar-me a esquecer a sombra que me perseguia

Junho - Desmaiei na loja onde trabalho, e quem me socorreu descreve convulsões e ataque tipo epiletico (já tinha tido episódios destes algumas vezes há uns anos atrás, mas os exames nunca acusaram nada de anormal. Tal como estes que fiz novamente, não acusou nada. Apenas os desmaios e a forma como desmaio não é normal)

Julho - Férias no Algarve interrompidas no 2º dia, por doença da minha mãe

Agosto - A sombra foi mais forte e estragou tudo. Perdas afectivas graves sofridas e causadas ao outro.Tudo o que poderia ter tido de bom ou que a vida me estava a oferecer e eu não soube ler os sinais, devido a sintomas de depressão nervosa, insegurança e desgaste físico e psicológico muito em parte devido ao emprego e situações pessoais do passado mal resolvidas.

Setembro - Crises Depressivas. Solidão emocional. Perda de rumo em todas as áreas de vida

Outubro - Crises Depressivas. Dor insuportável nos músculos, coluna e pescoço todos os dias e que quando acordo me deixam quase paralisada em muitos movimentos (já fui ao médico, já estou medicada para conseguir trabalhar, mas continuo a acordar assim); Alguma réstia de esperança por ter duas alternativas de emprego melhor, mas que no mês seguinte as portas fecharam-se outra vez. Quando imprimi o último currículo, a impressora avariou. Também não fui escolhida para algo que era importante para mim, como uma "sobremesa" da vida...



Novembro - Ler o post anterior...



Dezembro - Talvez detida. Por agressão. A vários clientes da loja onde (ainda)trabalho, no pior centro comercial do País, simbolo do inferno do consumismo, na véspera de Natal, onde estarei até ás 18:30 desse dia, a tentar fingir que aguento representar o papel robotizado do sorriso, e do muito obrigada e do Feliz Natal para si e para os seus. Humor negro á parte, posso usar um pin na bata a avisar que estou de luto e não vou ter um Natal Feliz? Posso avisar que o meu pai fazia anos este mês, e depois no dia de Natal faria 35 anos de casado com a minha mãe e já não vão poder festejá-los e eu não me apetece sorrir agora para alguém que me trata como lixo e gasta aquilo que ganho por mês em 5 minutos em cremes e maquilhagem e viva a crise neste País?

Tenho a vida em stand by e um grande ponto de interrogação no emprego onde estou, na casa onde estou, na cidade onde estou, no dinheiro que (não) tenho, no apoio á minha mãe; na minha vida pessoal e social, na minha saúde fisica e mental, na minha alma e na minha psique.

Por isso, se isto é o concluir, o continuar ou o confirmar de um ciclo ou karma que não termina, não sei. Neste momento, não faz mais sentido continuar a escrever aqui. Não faz mais sentido voltar a confessar-me, lamentar-me ou queixar-me seja do que for. Não faz mais sentido voltar a criticar seja o que for. Não faz mais sentido declarar-me, expor-me, ter esperança ou tentar acreditar no "tens que ter força, porque a vida pode melhorar amanhã". É tarde. A minha escrita não foi suficiente. A minha psique secou. Acho que apenas conseguiria aqui voltar um dia, se a vida me surpreendesse e provasse que estou hoje enganada em relação ao que sinto e pressinto. De contrário, os ciclos podem mudar, estagnar ou revirar, mas continuarão a repetir-se. E do que me vale a reviravolta, se já não vou ter cá o meu pai para partilhar comigo esses momentos de que tanto ele esperava também? Não faz sentido que as coisas se mantenham assim. E não faz sentido que mudem, se não as podermos partilhar. Não sei de onde vem a ideia da recompensa. Daquilo que as pessoas costumam dizem agora nestas alturas. Que se estamos a passar por muitos problemas, sacrifícios, dores e perdas seguidas, e nos conseguirmos aguentar sem desistir, seremos recompensados. Mas deve ser da nossa educação, desde crianças que nos passam a mensagem: "Se te portares bem, tens uma sobremesa/presente á tua espera". E depois quando crescemos, constatamos que é tudo mentira. O melhor da vida não é justamente distribuído por quem supostamente "se portou bem". Mas continuamos na esperança ingénua e arrogante de que algo melhor está á nossa espera. Porque somos nós, porque o mal só acontece aos outros. Eu acreditei, lutei, esperei e desesperei. E só confirmei que em cada esperança que tive, foi-me oferecida uma perda.



Assim,por agora só posso agradecer-te a ti que estás a ler-me neste momento.



Um agradecimento especial á Katrina, a Gotika, por ter sido a minha "madrinha de blog" e que antes de me conhecer pessoalmente, incentivou-me a criar o meu próprio blog, através de um simples email que lhe enviei. Gostava de acreditar nessa questão do circulo que um dia se fechará, e aí entenderemos o significado disto tudo, mas talvez nesse dia, já cá não estejamos, para usufruir dessa sabedoria. (http://gotikka.blogspot.com/2010/11/e-um-circulo.html). Até lá, agradeço a amizade, e as infinitas conversas e textos que trocámos, e quero prometer, quando conseguir, voltar a partilhar.



Através dela, conheci o I am no One (happy clown with bad ideas) que se tornou outro amigo presente, para além deste blog e lhe agradeço a amizade, companhia e paciência em várias situações.



E ao Sammael The Morning Star (Dark Me), que conheci pessoalmente por um breve momento, mas que apesar da distância, esteve tantas vezes presente na amizade e apoio que oferece.



A todos os outros que não tive o privilégio de conhecer pessoalmente, quero que saibam que foram os melhores leitores, fizeram os melhores comentários, escreveram as melhores palavras e foram os melhores amigos, pois fizeram a diferença na minha vida, só de existirem aí desse lado.



Muito Obrigada a todos pelas mensagens de força e amizade. Gosto muito de os sentir aí e vou continuar a segui-los nos vossos refúgios, mas perdoem o meu futuro silêncio por tempo indeterminado.




Deixo ainda uma sugestão...Desta vez, não encontrei nenhuma imagem que ilustrasse este último post. Nenhuma me pareceu adequada ou suficiente. Se por acaso, encontrarem alguma imagem que ficasse aqui bem, agradecia que me enviassem por mail (my.psique@hotmail.com).

Sábado, 20 de Novembro de 2010

Pai


Sabemos que todos temos que passar por isto, mais tarde ou mais cedo, e costuma dizer-se que as coisas só acontecem quando já estamos preparados para as enfrentar ou que a Vida só nos dá as dores que conseguimos suportar. Mas quando nos toca a nós todo o tempo do mundo não é suficiente.

Neste momento nem me apetece revoltar contra a negligência ou incompetência dos médicos espanhóis que assistiram o meu pai na urgência e que pensando ser uma simples gripe com infecção nos brônquios, não lhe fizeram exames e receitaram um antibiótico contra indicado para doentes cardíacos, tendo o meu pai na ficha clinica, uma situação cardíaca a resolver, e insistindo a minha mãe nessa questão e no facto do meu pai se sentir cada vez pior com a toma do dito, e ter uma dor forte no braço e o médico insistir que ele estava a ser bem medicado, e mandá-lo para casa por 2 vezes, até que na 3a teve um enfarte e aí já teve uma legião de médicos portugueses e espanhóis de volta dele a tentar reanimá-lo sem sucesso...

Também não me sinto magoada por ter acontecido ás 23:55 do dia do meu aniversário. A minha mãe sente-se ainda pior com a coincidência e a recordação infeliz que ficará para sempre. Por mais 5 minutos, faria diferença na dor que sentimos agora? Também só nos deram a notícia no dia seguinte, como é de regra nos hospitais. Mas inexplicavelmente, aceitei. Ou então ainda não acreditei que é verdade.

Neste ano já tinha perdido 2 tias próximas, uma delas irmã do meu pai. Nos anos anteriores a minha avó, e como todos nós já tive que ir a vários funerais e nunca me fez impressão ver o rosto e o corpo destapados, logo posso dizer que nunca vi nenhum rosto como o do meu pai. Já os vi sérios, a transparecer algum sofrimento ou simplesmente serenos. Mas, assim que destapei o seu rosto, ele sorria. Tinha aquela sua expressão característica nos olhos e nos lábios de quem está a ver alguém de quem gosta. Nas crenças de quem acredita, acho que nos seus últimos segundos deve ter visto ou os pais ou a irmã a virem buscá-lo na Luz e sorriu com alivio.

O meu pai era o meu oposto. Cheio de vida, enchia uma casa. Extrovertido, alegre, falador, sempre entusiasta e cheio de energia. Por isso, muitas vezes, chocávamos os feitios, por ele chamar muito a atenção e eu querer passar sempre mais despercebida nas situações. Era um optimista e apesar das dificuldades e dos problemas que passei, ajudou-me até ao fim, sempre com aquela sua expressão: “Força. Esquece o que não interessa e...bola para a frente!”. Bola para a frente que foi a sua vida. Ex futebolista no clube desportivo da nossa cidade, actividade que exerceu como profissional, a par da sua profissão “oficial”, e que se não fosse uma lesão no joelho, teria sido talvez o seu futuro profissional. Mas acabou sempre ligado ao mundo do futebol, fazendo parte da direcção Clube Desportivo da nossa cidade até á sua grande paixão – o Benfica. Por isso, e sinceramente estou-me nas tintas para o que possam pensar, mas era algo que o meu pai falava (meio na brincadeira, mas falava) que quando partisse gostava de levar algo do seu clube com ele, e eu e a minha mãe achámos por bem, colocar discretamente o seu cachecol oficial do Benfica ao seu lado na sua última viagem.

(O meu pai é o que tem efectivamente a bola á sua frente na foto)

O meu pai tinha ainda muitos planos. Para ele, para a minha mãe e para mim. De viagens que queria fazer. De ideias para eu conseguir encaminhar-me na vida. Para que arranjasse um emprego melhor. Para começar a procurar casa para comprar, em vez de estar a gastar o ordenado todo no aluguer de uma, etc...Mas, agora tudo isso terminou. Não tive tempo de mostrar ao meu pai que conseguia. Que era capaz. Não tive tempo tempo de o fazer orgulhar-se de mim. Não tive tempo de lhe mostrar que talvez também conseguisse ser feliz.

Em relação á questão fria e prática da situação, neste momento a minha mãe que sempre foi doméstica, não tem rendimentos e agora só ficou com meia pensão do meu pai, o que torna insustentável eu continuar a morar em Lisboa, já que era o meu pai que ainda me podia ajudar. Colocou-se a hipótese de pedir transferência para a minha terra, mas não há vagas tão cedo, logo...estou num beco sem saída á vista. Não posso continuar aqui por tempo indeterminado, sem dinheiro suficiente e não posso voltar para a minha terra sem emprego, despedindo-me de um que ainda que seja odiável e com uma remuneração ridicula, é efectivo e aparentemente estável...Trocar o certo pelo incerto...Entretanto tive duas alternativas de emprego melhor remunerados, com um bom horário e em áreas que me fariam ter vontade de acordar de manhã, e que um ou outro, eram “quase” certos, mas as portas fecharam-se de repente outra vez...Também não queria ir me embora daqui assim...A minha vida pessoal e social aqui interrompida... O voltar para trás. O já não ter ninguém lá na terra com quem estar. Ou melhor...o querer estar com quem fica cá. Não quero passar agora por egoista, mas é inevitável pensar nisso.

Neste momento, resta-me apoiar a minha mãe e lembra-la todos os dias de que devemos homenagear o pai seguindo-lhe o exemplo, da força e entusiasmo com que enfrentava a vida todos os dias. Mas, pai, se me pudesses ensinar a ser assim ou enviares-me, de onde estás, um pouco dessa tua energia e guiares-me pelo melhor caminho, ao dares-me a mão como o fazias nesta altura da foto...

Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010




As "Borboletas solares" trouxeram-me afinal, uma das maiores provas que a Vida me podia dar.

Pedi Luz para esta nova etapa que iniciei, e nem tempo tive de agradecer os comentários felizes que recebi.

A Luz decidiu levar o meu pai na noite do meu aniversário.

Assim, de repente. Através de uma aparente "simples" situação clínica, ainda não completamente justificada. O choque e o medo que neste momento sinto, são partilhados pela minha mãe, mas temos que pensar que estamos juntas uma para a outra, para tentar aceitar o porquê...



Luto, vem do verbo "lutar"?


Ainda mais?


Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Solar Butterflies



...E lá volta o Sol à mesma posição em que estava quando nasci...




Bem preciso vê-lo e senti-lo, neste ano novo astral que hoje se inicia...

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010



Lembro-me da primeira vez que reparaste em mim.

Da primeira vez que me viste e paraste a olhar.

E lembro-me, porque já tinha reparado em ti primeiro.

Não lhe quis dar importância e fingi ignorar, mas previa que tanta intensidade não me ia deixar descansada o resto do tempo assim tão facilmente.

Pensei mudar de lugar quando vi que não descansavas enquanto não te aproximavas.

Li nos teus olhos e nos movimentos ansiosos o que te ia no pensamento: Tenho que lhe falar.

Pensei mudar de lugar, mas era tarde demais e foste mais rápido.

Pelo teu entusiasmo e brilho nos olhos, adoráveis porque puros, receei estar perante uma criança quando ganha um brinquedo novo.

Impressionaste-me pela tua entrega imediata e maior.

Fogo e Mar reencontraram-se.

Mas eu não queria ser nenhum íman de luz, queria apenas passar despercebida, ser invisivel, ficar no meu canto e escutar só a música.

Mas vulcões e maremotos juntos, têm a sua própria musica e não se contraria a natureza quando ela assim decide manifestar-se.

Agora, sinto falta das fotos que não chegámos a tirar. Devolve-mas...

Diz-se que quando a "saudade não cabe no peito, transborda nos olhos".

Dói-me o teu olhar ser preenchido por outros olhares.

Sinto falta do vou lutar o mais que puder, pelo amor que existia aí dentro para dar.

Sinto falta de esquecer o passado e acreditar que as pessoas não são todas iguais e que
há Grandes Pessoas que o conseguirão, se eu deixar.

Sinto falta do eu não te vou falhar como todos e tudo te falhou, porque o amor existe como se não houvesse amanhã.

É tão fácil amar na alegria e nas gargalhadas e no conforto fáceis.

Sinto falta do não é justo fazeres-me pagar pelo que já passas-te.

Sinto falta quando não existiam desculpas ou outras prioridades típicas, mas pouco criativas, de quem ainda quer ser educado e politicamente correcto.

Estou cansada do passado que me destruiu e destrói todos os dias.

Quero estar bem. Bem.

Sinto falta do começar de novo, de saber como é nascer um novo dia e acreditar nele.

Sinto falta do aqui e do agora e do sempre.

Já alguma vez te disse? Não. Digo-te agora. Ainda? Sempre.

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010



Não interessa o incompatível. Era o previsto, desde que fui entregando as cores das asas aos poucos, até restar apenas o preto e o branco. Se chega ás claras ou sob disfarce, não se sabe. Quem não deseja por alguém que o abraçe forte sem perguntar nada, sem exigir nada. Que o aceite e compreenda apenas com um olhar. Que saiba gostar de nós sem precisar ser ensinado. Sem precisar fingir ou desculpar aquilo que não entende ou não concorda. Alguém que nem ache que tem que concordar com alguma coisa. Apenas abraça. Mas os ciclos continuam, não terminam. A minha pele tem sido um mapa. Surgem-me nódoas negras todos os dias e sangro logo tão facilmente. Por isso, se o ousares fazer, sê cuidadoso ao abraçar-me, pois corres um de dois riscos: ou magoas ou curas. E ambos levam tempo, á medida que os ponteiros do relógio passam por ti. A questão é encontrar alguém que ainda queira ter tempo para esperar.

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Ás vezes, a Vida apresenta-nos pequenos anjos, que mesmo sem asas, conseguem voar no nosso pensamento e fazer-nos sorrir, só por existirem. Quando nos entram no coração são certeiros, tal e qual a seta de Eros. De olhos grandes e brilhantes, irresistivelmente doces e alegres, lembramo-nos do toque das suas mãos pequeninas e do som da voz e do sorriso mais puros deste mundo. Depois, lembro-me do que me disseram. Que quando chegam, é sob esta forma. E eu lembro-me todos os dias, as vezes suficientes, para compreender e aceitar os sinais.

Domingo, 17 de Outubro de 2010




Ando a ter lembranças de infância precoces e muito "psicoterapêuticas"...


Devia ter uns 3 anos e tinha ido passear com os meus pais e os meus tios. Ofereceram-me um balão e eu andava radiante a brincar com o balão para todo o lado. Tiraram-me uma foto muito sorridente com o dito balão. Fomos passear ao campo e eu andava feliz da vida a correr por entre as árvores, até que...o balão deve ter roçado nalgum ramo e...rebentou. Fiquei atónita a olhar para a perda do meu brinquedo e nisto, tanto os meus pais como os meus tios desataram a rir do sucedido e supostamente da minha cara. E só aí, é que eu “abri o berreiro” e lembro-me de ter sentido que não desatei a chorar por o balão rebentar, mas pela reacção familiar. E nisto, começaram a tirar-me mais fotos de eu a chorar com o balão rebentado...Senti-me tão ofendida por se rirem da minha desgraça que não quis cá abraços e beijinhos nem outros balões. Lembro-me de pensar: As pessoas que deviam gostar de mim, são más. Riem-se de mim em vez de me apoiar...nunca mais me esqueci disto. Até porque tenho as fotos para o comprovar.

Devia ter uns 3 anos e tinha ido passear com os meus pais e os meus tios. Ofereceram-me um balão e eu andava radiante a brincar com o balão para todo o lado. Tiraram-me uma foto muito sorridente com o dito balão. Fomos passear ao campo e eu andava feliz da vida a correr por entre as árvores, até que...o balão deve ter roçado nalgum ramo e...rebentou. Fiquei atónita a olhar para a perda do meu brinquedo e nisto, tanto os meus pais como os meus tios desataram a rir do sucedido e supostamente da minha cara. E só aí, é que eu “abri o berreiro” e lembro-me de ter sentido que não desatei a chorar por o balão rebentar, mas pela reacção familiar. E nisto, começaram a tirar-me mais fotos de eu a chorar com o balão rebentado...Senti-me tão ofendida por se rirem da minha desgraça que não quis cá abraços e beijinhos nem outros balões. Lembro-me de pensar: As pessoas que deviam gostar de mim, são más. Riem-se de mim em vez de me apoiar...nunca mais me esqueci disto. Até porque tenho as fotos para o comprovar.

Durante a escola primária, tive um guarda costas. A escola era próxima de uma Casa Pia e do Estudante. E esses meninos mais velhos sem familia, ou também andavam na mesma classe que nós, ou vinham brincar connosco nos intervalos. Como a escola era perto de casa, ás vezes as mães vinham aos intervalos trazerem-nos o lanche. A minha mãe trazia para mim, mas começou também a trazer para esses meninos porque percebeu que enquanto os outros comiam, eles não tinham nem sandes, nem bolachas, nem sumos...Um deles, um dia virou-se para a minha mãe e disse: “Dona (o nome da minha mãe) eu vou ser o protector da sua filha. Ninguém lhe vai fazer mal. Se alguém se meter com ela, eu defendo-a!”. E assim foi até eu sair da primária. Logo nunca tive problemas de bulling...Depois disso, já raramente o via, e nunca mais recebeu os lanches da minha mãe, mas ainda assim, se o encontrava por acaso na rua, vinha imediatamente perguntar-me se estava tudo bem, ou se alguém me andava a importunar...Nunca me pediu nada em troca e sempre rejeitou alguma moeda que outros lhe quisessem dar...Dei por mim a pensar nesse menino, nunca mais o vi, o que terá sido feito dele?

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

What am I to You?


Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

"Depression is not a sign of weakness, it is a sign that you have been strong for too long."



“A Depressão dói. Mas pode deixar de doer” é o tema da primeira campanha nacional integrada sobre depressão que tem como objectivo alertar para o facto da depressão ser uma doença física, psicológica e emocional, que requere uma medicação especifica e adequada a cada caso, e não um simples estado de espirito, como a tristeza o é, ou uma fase de maior cansaço e desmotivação generalizados. Não é fraqueza, nem preguiça ou mau feitio. É uma doença real que dói e talvez só quem passe por ela, entenda o seu sofrimento, e daí ser ainda muito mal entendida e encarada por todos os que nos rodeiam. O apoio e compreensão ajudam, mas não curam. Problemas e crises pessoais todos têm, assim como a respectiva capacidade para os enfrentar, mas o nosso cérebro, o sistema nervoso e hormonal podem transformar por completo as lentes com que olhamos para nós, para o mundo e para os outros. Os factores externos podem desencadear a doença, mas são os internos que a determinam, ou seja, há quem tenha maior propensão a desenvolvê-la, por razões genéticas, hormonais, etc. Esta iniciativa é promovida e apoiada pela Farmacêutica Lilly Portugal e pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental e começou na semana passada a ser difundida através dos meios de comunicação social, assim como em cartazes, espaços de saúde e farmácias, através de uma “unidade móvel interactiva” em forma de camião, que irá percorrer várias cidades do País até 8 de Dezembro. É possível saber mais acerca desta doença e desta iniciativa no site http://www.adepressaodoi.pt/?gclid=CJjVt5fl96QCFWr92Aod20qqgg
Neste camião é possível ficar a saber o que é a depressão, quais os sintomas, como se manifesta e qual o seu impacto no dia-a-dia e no relacionamento com os outros. É possível responder a um autoquestionário para despistar qual o diagnóstico, para posteriormente ser mostrado a um médico especialista. Tudo para que se esteja “No caminho, para que deixe de doer”.

A Unidade Móvel Interactiva estará (ou já esteve...), entre as 8h e as 19h, nas seguintes cidades:
Porto (6 a 8 de Outubro)
Lisboa (11 a 13 de Outubro)
Braga (20 e 21 de Outubro)
Vila Real (27 e 28 de Outubro)
Leiria (3 e 4 de Novembro)
Coimbra (10 e 11 de Novembro)
Aveiro (17 e 18 de Novembro)
Évora (24 e 25 de Novembro)
Faro (2 e 3 de Dezembro)
Lisboa (6 a 8 de Dezembro)

Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010


As minhas razões parecerão sempre mais frias, mas se isto fosse um filme e apresentassem as duas versões da história, talvez a tua fosse muito mais cruél que a minha. É tudo uma questão de perspectiva e das razões visiveis e ocultas que nos levam a agir como agimos. Entregaste tudo aparentemente sem reservas, desejando que fizesse o mesmo. Mas precisava de tempo para sentir o que sentia e não mo deste. No entanto, dei-te tudo o que tinha como reconhecimento da tua entrega generosa e aparentemente total e imediata. Contei-te tudo. O que devia e o que nem devia. Do passado, do presente, do meu estado de stand by, do futuro que não saberia se existia, mas contei-te tudo. Disseste admirar a minha sinceridade e frontalidade, mas faltava sempre mais. Pensei que ao menos merecia o mesmo de ti. Até que um dia chegaste meio triste, preocupado, chateado? com o olhar de quem tem um segredo. Queres falar, se te fizer sentir melhor? Silêncio. Resposta: Eu também tenho os meus segredos...Resposta errada. “Eu também” implicava mais alguém. E esse alguém não era eu. Eu nunca disse o que esperavas ouvir até ter a certeza que o merecias ouvir. Mas nunca te disse: Isso é segredo. Exigiste e prometeste a partilha, a multiplicação do mais e do melhor e a divisão do menos e do pior. E num simples dia, numa simples frase, revelaste que não irias cumprir o prometido. Aposto que já te esqueceste. É normal. Talvez estivesses habituado a só ouvir o que querias e a ignorar o resto. É normal, e de acordo com a forma como lidaste com a perda do teu coração, é normal...Do tempo que levaste a recompor-te, é normal...E existindo provas que comprovam o teu extremo grau de sofrimento, é realmente normal...Quem me dera ser como tu...Mas, eu fingi ignorar, porque achei que devia respeitar o teu espaço. Mas a omissão revelou a tua falta de confiança na minha reacção. E a tua falta de confiança na minha reacção revelou a tua certeza da minha não compreensão. E para uma pessoa calma e sensata como eu, a minha não compreensão só poderia revelar que seria algo mesmo incompreensível e condenável até mesmo para a tua parca consciência.

Sábado, 9 de Outubro de 2010



Não costumo desejar a ninguém o que te desejo, mas o fascínio mórbido e masoquista que sinto ao tentar perceber o mundo que te rodeia faz-me assim desejar. Mas não consigo controlar a forma como me afecta. Que raiva, a ignorância é mesmo abençoada, a mediocridade é premiada e a superficialidade fazem alguém alegre e feliz. Lamento, é mais forte do que eu. É que as provas são muitas e tão evidentes que não resisto a olhar para elas, imaginando que podia ter sido eu. E dói. Muito. Tento todos os dias voltar a olhar, na esperança de que hoje deixe de doer um bocadinho menos, mas não. É sempre pior. Porque elas manifestam-se. Não são apenas um pormenor que alguém se esqueceu de apagar. Não, esse alguém faz questão de mostrar como é importante mostrar. E o fascínio continua quando nos deparamos com quem consiga respeitar as regras de um jogo, mas não o da vida. Com quem saiba representar melhor na vida do que numa novela. Com quem não leve nada a sério, e se admire que os outros levem. Com quem prefira ser vencedor numa luta irreal e acabe por ser o maior cobarde, quando critica quem desiste nas adversidades, mas é o primeiro a dar esse exemplo. Whatever, what goes around, comes around, you´ll see...

Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

No final do filme “Lembra-te de mim”, o personagem conclui que quando alguém importante entra na nossa vida, há uma parte de nós que diz, “espera, não estás nada preparado”, enquanto que há outra que diz, “torna-a tua para sempre”. O destino pode tornar as coisas possíveis, mas não necessariamente mais fáceis. E o meu tem se fartado de gozar comigo. Lá em cima, devem estar todos a rir-se e a achar que isto é tudo uma grande comédia. Negra. Os sentimentos não têm o minimo respeito ou consideração por quem os sente, por quem os aloja e lhes dá um corpo e uma voz para se manifestarem. Damos-lhes um coração que bate por eles e depois transformam-se, transformam-nos, desaparecem, voltam, confundem-nos e mentem-nos. Não admira que há quem congele o coração como vingança, recusando-se a voltar a dar-lhes importância. E assim ficam. Á espera que desistam, á espera que se esqueçam deles, á espera que desapareçam de vez. Nunca é uma luta fácil e rápida, mas acaba-se, não por deixar de sentir, mas deixar de estar em contacto com eles e aí, nada nem ninguém te conseguirá salvar, a não ser tu própria.


Depois de perder-se alguém outra vez, percebemos que a vida está a tentar ensinar-nos uma lição e que enquanto não a apreendermos, não podemos passar para o nível seguinte. E estaremos continuamente a atrair as mesmas situações, as mesmas experiências e as mesmas pessoas aparentemente diferentes, mas que nos deixam exactamente os mesmos sentimentos, as mesmas mágoas e a mesma pergunta: Porquê a mim, outra vez? O porquê desta dor que fica sempre que algo é interrompido e fica inacabado. Sempre que sentimos a decepção e o desencanto num olhar que nunca mais nos olhará da mesma forma. Que o que se quebrou, ficou irremediavelmente partido. Que não é o passado que incomoda, mas a forma como se fala dele. E o porquê de nem todos termos direito a segundas oportunidades, quando todos os outros têm direito á terceira de mão beijada. Erase and Rewind. Don´t think, just do. Mas a vida não é um filme.


Na vida só há dois caminhos. O do medo ou o do amor. A maioria de nós vive no medo. No medo de perder, acaba por atacar antes de ser atacado, abandonar antes de ser abandonado, acaba por se perder, antes de ser perdido. E num instante tudo muda. De tantas vezes que batemos com a cabeça na porta, acabamos por perceber que não é a porta que está no sitio errado. Somos nós.


E num instante tudo muda. Não há alivio ou paz de espirito comparáveis á de quem encontra a sua identidade e aceita a dos outros tal e qual eles são. Sem esperar nada em troca. E sentimo-nos mais preparados para aceitar e viver a experiência que a vida nos oferece. Podemos ainda não ter, no momento, todas as peças do puzzle, mas já sabemos quais são as que faltam. E num instante, em vez de batermos na porta outra vez, ela abre-se e deixa-nos passar.


Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

O Jogo da Forca


Talvez se eu soubesse ter dito as palavras certas. Talvez se tu as tivesses conseguido adivinhar através e apesar das minhas reticências... Agora descobri o quanto... O quanto... E o quanto... O porquê de me ter esquecido de como... O ... que levei a ... O que me... Não é fácil explicar ou justificar ou pedir... Mas eu peço... Mesmo já sem ter... Lembras-te daquilo que eu... e quando tu ... pensei ter sido ... mas tu não reagiste e disseste ... talvez ... não percebeste... não era suficiente... Talvez se eu conseguisse falar tudo quanto penso, mas não tudo o que me fizeram pensar e dizer de errado, talvez se conseguisse demonstrar tanto quanto sinto e não tudo o que o engano me fez sentir ... talvez o jogo não terminasse assim...

Sábado, 2 de Outubro de 2010


Muito obrigada pelas amostras de vida que me deste. É como qualquer oferta dada num supermercado ou numa perfumaria. Dá para experimentar e perceber o que estamos a perder por não ter dinheiro para comprar o pacote inteiro, de tamanho normal. É como um aperitivo num restaurante, quando sabemos que nunca vamos ter direito ao jantar completo. É como poder olhar para uma montra, só porque é de graça e depois ver os outros a sair com os sacos cheios. Mais valia não provar nem saber sequer. Felizes os ignorantes, não é o que dizem? Era tão mais fácil assim.

Domingo, 26 de Setembro de 2010

Esquece as promessas. Já ninguém te espera.

(Imagem de autor desconhecido)

Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010


Dizem que as almas plutónicas costumam provocar crises inconscientemente, só para se testarem a si próprias na sua resistência e capacidade de sacrificio. Assim como para testarem os outros, na força do seu carácter e para confirmar qual o real peso da intensidade e verdade dos sentimentos que dizem sentir. A little bit of drama, para a desejada reconciliação ser mais arrebatadora? Filmes a mais na adolescencia, talvez... Mas acima de todos os defeitos e apesar da baixa auto estima, tenho uma qualidade e gosto de ter orgulho nela, apesar de não dever ser uma qualidade, mas algo normal e natural. Dizem que só os pobres é que defendem a dignidade, os valores e os principios, porque é o que lhes resta defender já que não podem “comprar” ninguém. Que seja. Resta-me então ter carácter e ser fiél ás pessoas com quem me envolvo, porque só sei respeitar os laços que criei, por muito frágeis ou transitórios que possam parecer. A partir do momento em que estou, estou. Exclusiva. Não faço intervalos. Não encho a boca para falar de Amor e depois traio quem amo só porque sei separar o amor de outras diversões. Também tenho hormonas, mas não separo. E nunca justificaria uma traição com a falta de atenção de outra pessoa. Até se cometer o acto, há muito caminho para trás que deveria ter sido percorrido e falado. Mas as pessoas não gostam de colocar o dedo na ferida. Gostam de acumular silêncios e mal entendidos e gostam de deixar infectar até não ter mais cura possível. Mas são essas pessoas que separam, que têm mais sorte na p. desta vida, realmente, porque acabam por dar a volta por cima muito rapidamente. Dizem sofrer, e não perceber porque merecem tanta ingratidão da vida, mas esquecem-se do que fizeram, e entretanto vão se distraindo com outras “coisas” e os outros é que ficam na lama, como sempre. É que os corações de gelo ainda podem derreter, mas os de fogo, vão sempre queimar e deixar os restos das cinzas por aí.



Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Os Er(r)os de Psiquê


Os Er(r)os de Psiquê, contam-se pelos dedos das mãos, mas perdem-se na conta do pensamento. Os platónicos. Os que aconteceram. Os inconsequentes. E os mais que ficaram por acontecer. Os que se aproximaram. E os que se afastaram. Os que afastei. Os que não conquistei. Os que me conquistaram. É fácil, muito fácil conquistar quem nunca conquista. Quando prometem resgatar-nos do fundo da vida de onde estamos, mas acabam por ainda enterrar-nos mais nela. Quando nos devolvem ás origens, derrotados e aliviados, pelo que dizem. Quem aprende isto, interioriza e não mais esquece. Até Ego e Alma se reencontrarem e alguém mais forte lhe provar que está errada, transformando o erro em eros da sua alma.

(Imagem de autor desconhecido)

Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010



O que será mais dificil? Vir a saber algo que nos escondem e ocultam e enganam, tarde demais, ou saber algo que não podemos revelar, porque não temos meios para o fazer? Há pessoas que têm acesso ás verdades ocultas e superiores da almas dos outros, mas se as revelarem ninguém as levará a sério e não acreditarão nelas. Por isso aprendem a ser sábias na solidão. Aos eremitas da sabedoria só lhes é permitido olhar com empatia, acenar com a cabeça em sinal de compreensão e sorrir como a Mona Lisa, como quem esconde um segredo que poderia mudar o seu mundo, mas não lhe compete a si esse desígnio. Seguem a máxima oriental, da “Natureza deu nos dois olhos, dois ouvidos e uma boca, para vermos e ouvirmos duas vezes mais do que falamos”. E ao aprenderem a calar-se, com o tempo, aguçaram os restantes sentidos, permitindo-lhes ler para além de olhar, e sentir para além de ouvir.

Como já postei aqui: http://diariodaminhapsique.blogspot.com/2008/09/missao-dos-signos.html a minha missão plutónica, permite-me saber ler nas entrelinhas da mente dos homens, mas não tenho permissão para falar sobre isso. Há pessoas que podem falar de tudo e de todos e nada lhes acontece. A minha missão neptuniana, leva-me a reunir todas as tristezas dos homens, a absorvê-las e a dar-lhes um sentido. Mas quando me tento explicar, ninguém me ouve, ninguem me segue, ninguem acredita em mim. Há pessoas que podem dar-se ao luxo de ficar alegres e desfrutarem da postura de vencedores optimistas que desdenha quem fica para trás e lá em baixo. Outros há que no segundo a seguir a encherem-se de esperança, algo lhes bate lá dentro, como uma voz a avisar, tem cuidado, não te rias demasiado, e no dia a seguir, percebes o porquê. Há pessoas que sentem na pele, o ditado que diz “Dia de muito riso, véspera de muito choro”. Não fui concedida com o gene da leveza. Descobri ontem, onde ele está escondido, mas não sei como o trazer á superficie, sem recorrer a algo temporário e que não me pertence.

Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010



No catálogo dos milagres, há folhas em branco ou escritas á mão. Há páginas dobradas, marcadas, rasgadas e arrancadas. Roubadas pelo destino. Nasci quase sem vida, com o cordão umbilical a apertar-me o pescoço, e desde aí aprendi que há choros que anunciam a vida e que são desesperadamente esperados, como se de um sorriso ou de uma gargalhada se tratasse, e não chegam. As fitas não são para ser cortadas. As fitas desatam-se, sob pena dos nós permanecerem a interromper o caminho. Querem educar-nos para nos sentarmos na fila da frente. Um dia descobrimos que pertencemos á fila de trás,onde discretamente podemos ser quem quisermos, mas acabamos apenas onde há vagas, nas filas intermédias onde passamos a vida a levantarmo-nos para deixar os outros passar.




Alguma vez mudaste a vida de alguém que mudou a tua? Alguma vez salvaste alguém de um destino infeliz? Alguma vez fizeste a diferença? Há destinos que só se atingem depois de mudarmos os dos outros.



Eu não procuro muito longe.
As palavras que me surgem perto são sempre as mais simples e as mais certas.



(Imagem: “The wall of no-words”, Alberto G. Baccelli)

Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010


Não...?
Então, onde estás agora?
Quase que te invejo por isso.


Todos temos dúvidas pessoais. Mas nem todos as transformamos em grandes crises existenciais. Há que ter esse "dom" extremamente "útil"...

Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

Não te esqueças onde me encontraste a primeira vez. Não me julgues como se me conhecesses desde sempre. Não me cobres o que não te prometi, desde o primeiro olhar que te intrigou, mas que nunca compreendeste. Não, não é o teu mundo. Não cries expectativas acerca da pessoa que desejavas encontrar por trás da sombra negra. Não encontraste uma poseur. Encontraste alguém cuja alma condiz exactamente com a cor dessa sombra. Muitas vezes, não vejo nem sinto empatia no teu olhar. Por isso me afasto, quando te distrais, não me ouves ou desvalorizas os meus medos e os meus pedidos. Apenas sinto paixão, desejo e carinho. Amor, talvez, o que lhe costumam chamar. Mas isso é pouco. Essa é a perversidade da questão. O maior sentimento do mundo não chega. Senão, seria tão fácil libertar-me. Não fiquei imune a apaixonar-me ou a apaixonarem-se por mim. Daí a inteligência do dragão. Mas, não chega achares que posso ser mais do que sou. Assim como tu precisas sentir-te amado e valorizado naquilo que és, também eu, para conseguir mudar, preciso sentir que sentes a minha dor, real ou imaginária, terrena ou espiritual, mesmo que esse não seja o teu mundo. Para que ela termine, essa deve ser a primeira chave. Mas também não sou eu que devo desvendar a incógnita do cadeado. Senão, como já disse, seria muito fácil e já me teria libertado. Achas que não estou exausta de me sentir tão mal, sem saber porquê? E destes pensamentos obsessivos que me tornam insegura e desconfiada. Deste nó na garganta e desta dor no peito quando ajo contra aquilo que sinto? Por muito que tenha tentado afastar-te, desejei com todas as minhas forças estar errada. Desejei com todas as minhas forças acreditar que isto era apenas o teste que o meu inimigo me obriga a fazer, para avaliar a coragem e resistencia do candidato, na eventualidade deste ter que enfrentar futuras tempestades. E desejei que o conseguisses vencer, mesmo quando eu me fecho por dentro. Mas, o quarto do desespero continua trancado. Desejei que fosses tu a finalmente conseguir matar o dragão, com a tua força e insistência. Mas o meu inimigo continua a vencer-me pelo cansaço e a querer fazer-me acreditar que é apenas uma questão de ego, de quem nunca admite perder. Assim como estás a chegar á triste conclusão, de que talvez afastares-me seja o melhor remédio, também eu confirmo que mais uma vez alguém cedeu e ninguem consegue ser mais forte do que estas obsessões. Arruinei todas as oportunidades que me deste e agora sim, fecho-me por dentro, arrependida de não ter escrito a carta que esperavas. Eu tenho muito do que esperas dentro de mim. Mas está bloqueado e sufocado por uma outra prioridade que não se descobre. Uma auto-estima que precisa ser resgatada. Falta qualquer coisa. E até lá, o Amor não chega.


Quando já não temos, nem acreditamos em planos, projectos, desejos, ou vontades, tudo á nossa volta, torna-se um espaço vazio facilmente invadido pelas vontades da Vida e dos outros. O vácuo torna-se disponível a ser preenchido por todas as obsessões e por tudo o que nos é alheio e não escolhemos. Não o queremos, mas parece tornar-se preferivel o nada resignado que ainda é nosso, ao todo da felicidade desconhecida dos outros que nos agride, por saber nunca se conseguir fazer parte dela plenamente. E ouve-se falar e pensa-se então é assim, isto afinal existe, mas continuamos sem saber o que se sente do outro lado, e assistimos aos outros a concretizar os nossos sonhos antigos que abandonámos por nos terem abandonado antes. E no nada ficamos quando confirmamos o papel de figurantes que fazemos no filme da vida dos outros. E quando não se consegue chegar sequer ao estado limite de inconsciencia, que nos poderia libertar da dor (estado que o cérebro demasiado controlado não permite, e forma que a Vida encontrou para torturar e castigar na lucidez e sobriedade, por ingénua ou ousadamente atrever-se a sonhar que ainda é possivel) tenta encontrar-se outras formas de anulação e ausência em vida. Enterrando-nos nas origens. Contrariando o imprevisto inevitável, aceita-se completamente desfeita por dentro, a renúncia ao salto, mesmo sabendo que se queria precisamente o oposto. Quando não se consegue escolher entre duas opções que se quer ou onde se tentaria encontrar alguma paz ou alivio , acaba por renunciar-se ás duas. E parece preferir-se suportar a dor da renuncia e do sacrificio á dor da confusão mental que essa escolha provoca. Na dúvida, afasto-me. Mesmo que desesperadamente peça ajuda em silêncio. Mas não a sei pedir realmente. E afasto os outros.

Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Peço desculpa, o meu instinto de sobrevivência faz-me parecer uma pessoa normal. Mas o cansaço e o esgotamento acaba por abater-se sobre mim e faz vir ao de cima todo o peso e solidão que carrego. O peso de não saber se não consigo ou já não quero mesmo que seja diferente. Sozinha. Desolada. Vazia. Apática. Incapaz de sentir paixão ou compaixão por algo ou alguém. Apenas posso fingir ou distrair-me por convencionalismo e educação. Ainda preocupada com as aparências? Antes eu era uma pessoa. Eu já fui uma pessoa antes. Sim, talvez conseguisse levar até ao fim muitas coisas, mas apenas o que não era importante ou consequente. Talvez conseguisse ser determinada precisamente naquilo que era mais fácil mostrar a si mesma e aos outros, a sua resistencia e aparente indiferença, a sua receptividade e aparente simpatia. Quando na verdade era vulnerável e sem se destacar em nada de relevante, em nenhuma área de vida. Quando na verdade só tinha vontade de virar costas e estar a lixar-se para todos. Já não conseguia distinguir se ajudava os outros porque realmente era assim a sua natureza ou porque era um reflexo condicionado pelo que os outros vão pensar se não o fizer. Conseguia superar os seus defeitos simples, apenas para ser ignorada nas coisas importantes. Dava a imagem de solitária quando na verdade precisava desesperadamente de uma companhia e de um abraço. Quando chegava aos sitios, todos reparavam e olhavam-na com curiosidade, talvez com alguma cobiça sobre o aparente, sem saber que geralmente acabava a noite sozinha a olhar para o monitor. Do outro lado do mundo. Gastava todas as suas forças e energias para criar e conseguir manter esta imagem, comportando-se á sua altura. Com isso tinha ganho vazio e desolação. Daí, não lhe restarem mais energias para poder mostrar-se a si mesma. Alguém que também precisa que os outros se mostrem. Mas se os outros por sua vez comportam-se como ela, fecham a sua alma, tornam tudo igual e dificil e desgastante. Quando ás vezes surge alguém transparente, puro e aberto aos outros, ou é rejeitado ou fazem-no sofrer e desiludir, considerando-o ingénuo, inferior, pouco inteligente num mundo tão cruel e competitivo. Foi educada para aceitar, para evitar os conflitos e dificuldades, foi educada para amar. Esconderam-lhe os desafios e a sujidade do mundo, e um dia quando se deu conta disso, não soube lidar com eles, nem enfrentá-los, escondendo-se de tudo o que saia da sua linha de segurança. Tentou ser feliz de forma segura como lhe ensinaram. E falhou. Depois, quebrou as amarras e tentou ser feliz, fazendo o oposto do seguro, arriscando e fazendo experiencias incertas. E falhou. Tentou ser feliz, procurando a sua medida, o seu tempo. Perdeu-se. E falhou. Procurou os que a respeitaram. E foram-se embora. Procurou os que a usaram. E afastaram-se também. Procurou quem a pudesse ajudar a esquecer-se de quem era ou a reinventar-se. Procurou quem a pudesse ajudar a voltar a si mesma e lembrar-se de quem era. Nunca se conseguiu esquecer. E nunca se conseguiu lembrar. Passou a desconfiar do amor que não pede nada em troca, abnegado, irreal, contra a natureza humana, no fundo. Porque todos queremos alguma coisa em troca. No limite da generosidade, nem que seja reconhecimento da infinita bondade...presunção de se parecer ser superior num mundo do “gosta mais de ti do que dos outros, mas finge que os respeitas e te importas com eles”...Começou a admirar os que conseguiam viver na liberdade solitária de nunca se entregarem a ninguém e não pareciam sofrer com isso. Nem ficar com peso na consciencia das pessoas que usavam e deixavam para trás, dando lugar a novas que acabavam como as primeiras. Tentou ser como eles. E falhou. Isto não vai passar, pois não?,sentia ela. Isto nunca vai passar, pensava ela...Depois, aconteceu. Nem sempre estamos preparados para aceitar, que existem pessoas que passam pelo nosso caminho para aprendermos algo doloroso; e que existem outras que surgem mais tarde para nos recompensar. E quando estas últimas surgem, apercebemo-nos do tempo que desperdiçámos em esperar o melhor de quem nunca mereceu.

Domingo, 6 de Junho de 2010




Entre aquilo que se quer, mas não se pode ter, e aquilo que nos é oferecido sem querermos, escolhe-se? Existe escolha e livre arbítrio ?

Segunda-feira, 10 de Maio de 2010


A indefinição é uma forma de liberdade ou de prisão?

Liberdade, porque não sendo nada concreto, pode ser o que se quiser?

Ou prisão, pela incerteza e dúvida que ocupam o lugar do concreto?

Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Um dia vais perceber porque te disse sim, tantas vezes. Porque te aceitei tão rapidamente. Um dia vais perceber porque estava atada e tu desataste-me os nós. Ingénua pensei que seria suficiente. Mas afinal, precisava que esses nós se transformassem em laços. E tu enlaças, mas não abraças. E essa pode ser uma outra forma de prender.

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Cansada de ser o enigma adaptável. A Fénix que morre e renasce todos os dias com a mesma força viciada e estagnada. Antes de tomar os comprimidos com álcool, quero que me conheçam. A mim e aos meus desejos irrealizados, concretos e irrealizáveis. Antes de me atirar do precipicio, quero que conheçam os meus objectivos planeados e impossiveis que te surpreenderiam, que te fariam orgulhar-se de mim. Ás vezes, não olho para os dois lados na rua e atravesso com o sinal vermelho, pensando que talvez um carro vá contra mim e me deixe amnésica para poder começar de novo. As viagens que não fiz. Antes de passar a linha amarela de segurança do metro e saltar lá para baixo dos carris que me levam todos os dias onde não quero ir, quero aprender o que não aprendi no tempo certo. Que me vejam como fascinante no tal palco. Que se deslumbrem, arrepiem e comovam com tudo o que transmitir. Antes de jogar na roleta russa, quero conseguir ser como ela, aquela que te seduz sempre, por mais vulgar que pareça. Nem que seja só por um momento, suficiente para entenderem o porquê. Antes de esvair os pulsos em sangue, para condizer com o coração, quero ser correspondida nos meus amores e nas minhas paixões pelo menos uma vez na vida, pois nunca fui eu a escolher, e quando fui, fui rejeitada, usada sem ser amada. Só obtenho olhares e elogios inconsequentes, pois são as outras menos elogiosas que usufruem do lado bom da vida. Antes de perder o corpo, quero estar contigo. E com o outro que és tu também. E depois contigo também. Antes de acordar a gostar mais de mim do que dos outros e ter coragem de ser egoista, quero que a minha imagem seja vista, a minha voz ouvida, a minha pele sentida por imagens tatuadas das fotografias que não tirei nem nunca quiseram tirar comigo. Admirada por aquilo que não consegui ser ou assumir ser. Há quem saiba viver, mas não saiba amar. São estes os felizes. O tal anjo até pode andar a proteger-me dos maiores perigos, mas só evita os maus caminhos, não me colocou nos caminhos felizes. Agora é tarde e enfurece-me que me digam que não é. E enfureço-me quando dizem que é, e têm razão. O livro está a escrever-se. Ando a coleccionar experiências que me podem limpar o karma, mas não me elevam nem a confiança, nem a auto-estima, nem a vontade nem a determinação. O livro já se escreveu. Basta ser publicado. Ando a ver passar os outros a divertirem-se e as outras a ocupar esse lugar. Não tenho o dom. Só me foi concedido um de dois destinos dos deuses de Hades e dos Mares, ou muito surpreendente e glorioso quando se consegue realizar a missão, ou muito trágico quando nos rendemos ao mediocre da realidade possivel e limitada. E eu devo-lo ter escolhido, sem me lembrar nem quando nem porque. E pode decidir-se várias vezes, mas só se escolhe uma vez. Tudo o que não consegui fazer e tudo em que falhei era o mais importante. Esses sonhos não foram substituidos por outros nunca mais. Antes de finalmente ter coragem de não voltar a acordar este ano, quero deixar de ser o mistério passivo de quem aceitou e desistiu há muito tempo de ser. Esse tempo pode durar só um dia ou dois. Talvez nesse dia ou dois eu revele a lista de tudo o que ainda me faz bater o coração e de tudo o que o fez deixar de bater. Depois, posso ir-me embora.

Quarta-feira, 24 de Março de 2010



A minha vida é feita das coisas que não fiz, nem disse. Por isso, não me posso arrepender do que faço e voltarei a fazer.A minha vida é feita de sobriedade e consciência, logo tudo dói muito mais, mas talvez o karma assim limpará mais depressa. Gosto desta nova versão de mim que ninguem conhece bem. E tudo aquilo que não dizemos ou fica por dizer, ou liberta-nos ou aprisiona-nos. A coragem e o medo sempre juntos ao pressentir que se muda de cenário. A tua liberdade isola-te, isola-me, protege-te. Ás vezes somos mais aquilo que fica apenas implicito. Outras, deixamos de ser aquilo que desejávamos, nem que fosse por um momento, por não o dizer. Eu sei que não sabes lidar com o peso de quem tem coragem de assumir. A única coisa pesada em ti é mesmo só a música que ouves, porque de resto tudo em ti é leve e superficial. A profundidade assusta-te. Quando sentes afundar, derrubas o copo, espalhas a água e nunca te afogas.

Terça-feira, 9 de Março de 2010


Antes que o tal rio se torne num oceano irreversível, é mesmo melhor desaparecer por aqui e procurar outros barcos. Já percebi que não sabes nem queres saber lidar com qualquer tipo de profundidade. Quando o naufrágio anunciado acontecesse, não haveriam suficientes bóias de salvação para mim. As always.

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Um dia escreverei sobre ti. Mas hoje não. Um dia falarei da forma como me convenceste facilmente a rir. Um dia contarei como foste rápido a perceber os meus muitos olhares. Um dia perceberás nas minhas palavras que foste imprevisível quando surgiste, mas sempre inevitável e previsto quando ficaste. Um dia falarei como facilmente deixaste de insistir no objectivo alcançado.

Um dia talvez tenha coragem para dizer que estranhamente me fizeste ter saudades tuas, desde o primeiro momento. Tal como agora. Um dia talvez queiras tentar perceber-me e olharás para as fotos que não são tuas, assim como olho as tuas de um lugar ao qual não pertenço nem pertencerei. Não tens tempo de sentir falta de nada, apenas do que se segue. Estamos nos pólos opostos da expectativa. Um só sabe divertir-se. O outro nunca o consegue fazer.

Um dia poderás querer confirmar que me conheceste e não terás provas. Ou comodamente, não quererás tê-las. Tentei ficar imune. Era fácil. Tornou-se doloroso. Não sou feita da mesma massa por mais que queira.

Deve ser o perigo dos infiéis que deixaram de acreditar. Sem fé, sem crenças, sem esperança ou sem amor, fica-se vazio. E a natureza não lida bem com o vácuo. Espiritual ou sentimental. Fica-se como um receptáculo disponível a deixar entrar qualquer coisa que o controle e domine. Não, outra vez, não…Dói…muito…

Sábado, 20 de Fevereiro de 2010


É o que acontece quando se quer começar de novo, num ciclo que não termina nunca. Nos jogos de azar, como a roleta russa e a vida, o desistir não é permitido. Há uma torre cujos quartos se encontram em chamas, indicando que muitas das coisas que mantenho guardadas nesses quartos devem ser deitadas fora e queimadas o quanto antes. Emoções antigas, sentimentos destroçados, preconceitos. Esta torre diz-me que actualmente esses quartos são o meu pior inimigo. O relâmpago que atinge a alto da torre representa a minha necessidade de mudança urgente. Devo libertar-me e seguir em frente. Até lá, borboletas em sangue são o resultado dessa torre em chamas.

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Consigo ficar a olhar pelo buraco das fechaduras e ver-me a mim própria, fora de mim, distanciada das emoções e do que se sente quando se sente. E avalio-me, comparo-me e nunca chego. Nunca sou suficiente. Mas há sempre alguém que é. A realidade nua e crua nunca funciona bem comigo. Não sei se quero o desconforto do desconhecido, com o qual não saberei lidar, ou o aparente cómodo que já conheço como derrotado e irremediavelmente perdido, mas que até tenho sabido lidar bem com ele. Sei fingir bem que não me importo. Pensa-se que se é livre, mas é-se apenas vazia, sem expectativas e sozinha. E pensa-se que fomos nós que escolhemos o que escolhemos, mas é um engano. Ninguém escolhe ser derrotado e continua-se a jogar. Talvez quando se perde o coração demasiadas vezes, fica sempre uma parte de nós por curar. E por cuidar. Talvez quando perdemos a esperança demasiadas vezes, fica sempre uma parte de nós que nunca será admirada nem respeitada. E cansa ser "tão perfeita" e faltar sempre o que falta para ser suficiente. Tudo é transitório demasiadas vezes para preencher o que quer que seja. E quando assim é, não consigo falar. Fico só a observar-me pelo buraco da fechadura.

Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010


Aconselho a todas as meninas e mulheres que infelizmente precisem de apresentar uma queixa na policia, a não irem sozinhas, nem acompanhadas de outras amigas. Vão com um homem. Pode ser que imponha mais respeito. Senão arriscam-se a ter 4 ou 5 marmanjos vestidos de azul com olhares e sorrisinhos trocistas entre eles, como se não estivessem a levar muito a sério o que lhes é dito. Acabei por só deixar o meu registo do que aconteceu e a "sugestão" de mais vigilância naquela zona. Porque fazer queixa formal, segundo eles, nem vale a pena o esforço. Se não consigo identificar uma cara, não vai adiantar nada, ter que ser chamada a questionários e inquéritos aqui e no DIAP, e mais não sei onde, onde vou ter que descrever vezes sem conta o que aconteceu, sem conseguir acrescentar mais dados ou provas válidas. Afinal, ele não me fez nada, nem me levou nada. And I rest my case. Não quero falar mais sobre isto.

Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Cheguei bem a casa. Ontem quando cheguei ao trabalho, contei ás minhas colegas o que se passou. Uma delas tem um cunhado chefe de esquadra da PSP e telefonou-lhe de imediato. Ele aconselhou-me a dirigir-me á esquadra mais próxima e apresentar queixa. Na hora do jantar, fui á esquadra mais próxima do emprego, e fui atendida por um senhor de azul "estátua" que não olhou para mim, nem me ouviu, fui antes literalmente "despachada" para voltar noutro dia que estava muita gente e levava muito tempo. E eu como estava em horário laboral, fui-me embora. Essa minha colega voltou a ligar ao cunhado e ele ficou indignado com a situação. Informou que ia enviar 3 colegas policias á paisana para me ir buscar ao trabalho e levar/escoltar a casa. Assim foi. No caminho fizeram-me todas as perguntas, mostraram-me fotos de eventuais suspeitos para poder identificar algum e informaram-me que se quiser apresentar uma queixa formal (que segundo eles, é o ideal, pois quantas mais queixas tiverem, melhor, no caso de o apanharem) tenho 6 meses para o fazer. E é o que vou fazer. Ainda não contei a ninguem da familia, pois sei que tipo de pais impressionáveis tenho...principalmente quando desde há 1 ano, que todos os dias a minha mãe se preocupa ao telefone por eu sair tarde do trabalho e vir sozinha para casa...Por enquanto não lhes posso dizer mesmo nada. Ainda por cima o meu avô teve um AVC e anda tudo desorientado lá em casa...Pois, um mal nunca vem só...Só espero que o Bem quando vier, também venha aos pares...

Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Pesadelo

Ainda estou em estado de choque porque me parece tudo um pesadelo demasiado surreal. Ontem á noite, quando saí do trabalho ás 24:30, vinha eu no meu caminho de sempre, a pé até a casa (sim, porque não tenho carta nem boleias que me tragam até á porta), a ouvir o meu mp3, e até meio a chorar, porque apareceram-me umas despesas extra este mês e não sei como vou pagar, e não sei se vale a pena continuar em Lisboa a gastar mais do que ganho e ainda a sobrecarregar os meus pais que me ajudam nas despesas, etc, etc, etc...quando me aparece um vulto negro com um facalhão em punho a puxar-me a mala. Como ia com os phones nos ouvidos (coisa estúpida a fazer sozinha á noite numa rua meia deserta aquela hora, porque não nos apercebemos de nenhum ruido, nem passos, nem nada...)nem ouvi bem o que ele disse. Simplesmente olhei para aquela lâmina gigante á frente dos meus olhos que surgiu do nada, enquanto continuava com uma banda sonora nos meus ouvidos que deixou de fazer sentido ouvir naquele momento. Arranquei os phones, parti o mp3 que o o perdi no chão (e obviamente não voltei atrás para o procurar) e acho que mais da raiva do que do susto que senti, pela ironia de ir a pensar que não tenho dinheiro e precisamente virem assaltar-me logo a mim, desatei a gritar tanto, mas tanto, a olhar enraivecida directamente para aquela besta negra, que me aconteceu o improvável. Agora pensando bem na reacção da besta negra (sim, era um preto. quero lá saber do politicamente correcto e das acusações de racismo), devo ter-me transformado em animal demoníaco, e não gritava, guinchava como um ser possuido e dizia DESAPARECE DAQUI! E a verdade é que ele paralisou a olhar para mim, devolveu-me a mala e disse: "Fdx, também não é preciso gritares assim". E foi-se embora. Vim a tremer e a chorar o resto do caminho a pensar como é que consegui escapar. A pensar no que a minha mãe me dizia, de como eu ficava quando tinha crises graves, que os meus olhos se transformavam e metiam medo. Que ficava assustadora quando estava com ódio. Dessas crises não quero falar. Nunca mais voltaram. Mas esta minha ira serviu para me salvar. Hoje acordei com dores no corpo todo e a garganta parece ter sido arranhada com arame farpado. Hoje e o resto da semana vou ter que fazer mais turnos da noite. Não quero ir pelo mesmo caminho, mas é inevitável ter que ir sozinha até casa. Hoje quando acordei, liguei a TV e estava o criminologista Barra da Costa a falar de um assaltante/violador que anda a agredir mulheres com uma faca em punho na zona de Benfica. Eu trabalho e moro na zona de Benfica. E ouço muitas vezes as sirenes da policia. Mas nunca vejo os senhores de azul a vigiar e a rondar as ruas mais escuras desta zona. É estranho que enquanto morei na zona dos Anjos, quase perto do Intendente, supostamente uma zona mais problemática, nunca me aconteceu tal coisa. Lembrei-me ainda ontem de repente que na noite anterior, quando passei exactamente pelo mesmo sitio á mesma hora, olhei para o chão e estavam poças de sangue ainda frescas no chão. Lembro-me de ter pensado: "Que horror! O que poderá ter acontecido aqui?" e continuei o meu caminho. Agora que estou prestes a sair para ir trabalhar,já estou a pensar como voltarei esta noite a casa.

Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009


Levantava-se com um peso nas costas, arrastava os pés o dia todo e voltava a deitar-se com uma dor que não a deixava descansar. Chorou ao olhar-se ao espelho e ver que o motivo do seu desconforto era ter asas nas costas e tentou arrancá-las. Á medida que o conseguia, surgiram anjos que lhe beijaram as lágrimas, fazendo as asas crescer outra vez. Mas porque fazem isto, porquê. Tens de voar, não vale a pena continuares a arrancar as asas. Mas eu não preciso delas, não preciso. Não quero tê-las, não sei para que servem, nem como se usam, nem quero saber. Quero andar, andar como as pessoas! Sem dores nos pés, nem nas pernas, nem nas costas. És uma borboleta. Tens de voar. Sou uma pessoa, uma pessoa! És uma borboleta, tens que te mostrar. Voar e mostrar as tuas cores. Um dia vais deixar de sentir esse peso, e já não vais sentir necessidade de arrancá-las. Não quero. Não gosto. Quero que me deixem em paz. Deixem esconder-me. Quero tirar isto, por favor, ajudem-me. Não vale a pena pedires. Nem sabes o que pedes. Podes arrancá-las á vontade, que elas continuarão a crescer até aprenderes a voar.

Domingo, 13 de Dezembro de 2009


Eu era só uma menina assustada e tu trataste-me como se fosse uma serpente. Nunca mais entendi nada da vida, desde então. Depois, o “tu” passou a ser plural. E generalizou-se a pessoas, situações, coisas. Visíveis e invisíveis. Demasiadas vezes para entender. Tentei então ser a serpente e as pessoas duvidavam. Diziam, não vale a pena, não és feita desse material. E o veneno espalhou-se muito mais depressa do que a esperança ou a vontade de voltar a tentar. Procurei o antídoto que me permitisse voltar a querer. Pensei algumas vezes ter conseguido. Porque quis acreditar, na então ainda pureza e ingenuidade que descobri ter, até a vida me dizer que estava errada em querer aquilo. E é impressionante como sempre estive errada. Antes pensava que tinha que conhecer mais da vida para gostar dela. Depois constatei que bastava experimentar o aperitivo das coisas uma vez para lhe conseguir ver o filme todo e saber se valia a pena repetir. Nunca valia. Depois, constatei que só de ouvir as pessoas falarem bem das coisas, já me fartava delas. Já conheço a vida e não gosto dela, nem de mim nela, nem do que ela contém, nem do que ela promete.

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

RAMM…STEIN!


Era este o som que se ouvia nas filas de espera á entrada do Pavilhão Atlântico da tarde do passado domingo, 8 de Novembro. Na fila da direita, gritavam RAMM. Na fila da esquerda completavam com STEIN! Chovia e estava frio, mas ouviam-se vozes a dizer: “Deixem estar, que já aquecem lá dentro…”, aludindo á tradição do espectáculo pirotécnico apresentado sempre nos concertos da banda alemã. À entrada, foi-nos entregue uma folha com “informação importante” e avisos acerca do teor do concerto…informação essa que só motivou a gargalhada geral, principalmente no grupo de dinamarqueses que estava ao meu lado e do grupo de amigos com quem fui. É favor ler com atenção:



Diziam eles: “LOUD MUSIC? No one ever told me that it would be loud music in here! I want my money back…” Pois…o folheto estava mesmo a pedir a ironia…

(Nota: fiquei nas filas da frente e não só não chamusquei o cabelo nem a roupa, como nem água nem espuma apanhei na altura em que o Till - vocalista- a projectou. Foram mais as filas de trás a sentir esses efeitos. O calor do fogo, esse sabia bem, já que estava frio!)

Á entrada, fiquei sem um excelente guarda chuva que por ser considerado uma “arma letal”, foi-me dado a escolher entre jogá-lo fora ou ir algures colocá-lo num cacifo acompanhada de um segurança, blá, blá…e perdia o meu lugar á frente. Nop. Ficou lá no contentor.


Mas devo dizer que gosto da “confraternização e solidariedade” entre o público antes dos concertos, principalmente nos de nome individual, pois sabe-se que ali, no geral, só estão pessoas que pagaram bilhete para ver aquela banda. Já num Festival mais eclético, nem sempre é assim.

E foi num festival que vi os Rammstein a primeira vez. Vilar de Mouros, 2002. Nem sabia quem eram. Nunca tinha ouvido. A pessoa com quem fui disse-me: “Vais gostar…”. E acertou. Não percebi nada do que disseram (ainda hoje não sei alemão), mas independentemente de se gostar ou não do estilo, é inegável que para quem gosta de emoções fortes é cativante e brutal! O som forte da banda aliado á teatralidade das encenações e ás poses militares conquistaram-me. Pois não sabia (nem ainda hoje sei bem) se são industrial, metal, electrónico ou techno, mas gostei das composições pesadas e obscuras. Depois disso, tentei conhecer o que não conhecia deles, e houve tempos que ouvia Rammstein em casa. Depois, passou-me mais e nunca mais me actualizei. Logo não sou a pessoa mais indicada para fazer uma critica ao concerto (sim, Katrina? sim, Ebola? ;P).
Mas quando soube da vinda deles aqui este ano, logo agora que estava em Lisboa, nem hesitei. Sabia que eles até podiam já não surpreender pela qualidade musical e lírica, mas que ao vivo fazem esquecer esse pequeno pormenor… Pelo menos a mim fizeram, que cheguei apática e a achar que já nenhum concerto me conseguia despertar emoções, e saí de lá com uma injecção de energia e adrenalina em doses generosas que me vão dar para o resto da semana.

Pois, o concerto abriu com a banda norueguesa, Combichrist, que não conhecia, mas que já vai no quarto álbum de originais. O último que saiu este ano intitula-se: “Today We are Demons”. Duas baterias e um vocalista com um visual chamuscado saído de alguma zona explosiva, aqueceram o ambiente, transformando o pavilhão numa mega discoteca, ao som de algo industrial com o nome de aggrotech. Ao fim da terceira música de batida repetida, os meus ouvidos deixaram de as conseguir distinguir umas das outras, mas continuavam a pedir mais.

Finalmente, chegou a hora de sermos invadidos por alemães. Uma parede negra. Machadadas e um maçarico, quebraram e queimaram o muro de onde saíram os elementos da banda (uma alusão a assinalar os 20 anos da queda do Muro de Berlim). Abriram com ‘Rammlied’, ‘B***’ e ‘Waidmanns Heil’, todos do novo álbum: “Liebe Ist Für Alle Da”.


Till, o vocalista surgiu com um avental vermelho, penas á volta do pescoço e uma luz que saia quando abria a boca. Eu e o meu grupo ficámos bem perto do guitarrista Richard Kruspe que vinha com um visual meio oficial nazi, muito compenetrado na sua missão. E como não poderia deixar de ser, o “palhaço de serviço” e companheiro das encenações com Till: o teclista: Doctor Flake que vinha com um fato prateado luminoso e que andou kilómetros numa passadeira rolante enquanto tocava e tropeçava, ás vezes.




Uma das musicas que mais me impressionou (lá está, devido ao cenário) foi a “Wiener Blut’, canção inspirada no caso do austríaco ‘Monstro de Viena’, na qual surgiram em palco bonecos pendurados no tecto e cujas cabeças explodiam no final.

E como não podia deixar de ser, o single de apresentação do novo álbum: “Pussy” , motivo de choque pelo vídeo, um mini filme porno apresentado, e cuja letra não é especialmente elaborada… Ainda pensei que tipo de encenação é que eles iriam fazer… mas depois a curiosidade foi satisfeita com a visão de uns dildos no suporte do microfone e um canhão fálico que disparou espuma no final sobre a plateia. Mas a nós das primeiras filas, não…

Torna-se algo inglório tentar descrever um concerto que vive muito da força dos cenários que mudam a cada música, dos efeitos especiais e das poses, expressões e caretas do Till. Quando tudo salta e grita extasiado, e ele fica imóvel em postura militar, aparentemente inexpressivo, mas a encher o palco de atitude… Imponente e poderoso.

As únicas criticas que podem ser apontadas sejam talvez o facto de terem tocado muitas músicas novas, deixando algumas mais conhecidas de fora, mas afinal a tourné é para divulgar o novo álbum. Aqui fica a Play List:

1.Rammlied
2. B********
3. Waidmanns Heil
4. Keine Lust
5. Weisses Fleisch
6. Feuer Frei!
7. Wiener Blut
8. Frühling in Paris
9. Ich Tu Dir Weh
10. Liebe Ist Für Alle Da
11. Benzin
12. Links 2 3 4
13. Du Hast
14. Pussy

Encore 1
15. Sonne
16. Haifisch
17. Ich Will

Encore 2
18. Seemann
19.Engel