No final do filme “Lembra-te de mim”, o personagem conclui que quando alguém importante entra na nossa vida, há uma parte de nós que diz, “espera, não estás nada preparado”, enquanto que há outra que diz, “torna-a tua para sempre”. O destino pode tornar as coisas possíveis, mas não necessariamente mais fáceis. E o meu tem se fartado de gozar comigo. Lá em cima, devem estar todos a rir-se e a achar que isto é tudo uma grande comédia. Negra. Os sentimentos não têm o minimo respeito ou consideração por quem os sente, por quem os aloja e lhes dá um corpo e uma voz para se manifestarem. Damos-lhes um coração que bate por eles e depois transformam-se, transformam-nos, desaparecem, voltam, confundem-nos e mentem-nos. Não admira que há quem congele o coração como vingança, recusando-se a voltar a dar-lhes importância. E assim ficam. Á espera que desistam, á espera que se esqueçam deles, á espera que desapareçam de vez. Nunca é uma luta fácil e rápida, mas acaba-se, não por deixar de sentir, mas deixar de estar em contacto com eles e aí, nada nem ninguém te conseguirá salvar, a não ser tu própria.
Depois de perder-se alguém outra vez, percebemos que a vida está a tentar ensinar-nos uma lição e que enquanto não a apreendermos, não podemos passar para o nível seguinte. E estaremos continuamente a atrair as mesmas situações, as mesmas experiências e as mesmas pessoas aparentemente diferentes, mas que nos deixam exactamente os mesmos sentimentos, as mesmas mágoas e a mesma pergunta: Porquê a mim, outra vez? O porquê desta dor que fica sempre que algo é interrompido e fica inacabado. Sempre que sentimos a decepção e o desencanto num olhar que nunca mais nos olhará da mesma forma. Que o que se quebrou, ficou irremediavelmente partido. Que não é o passado que incomoda, mas a forma como se fala dele. E o porquê de nem todos termos direito a segundas oportunidades, quando todos os outros têm direito á terceira de mão beijada. Erase and Rewind. Don´t think, just do. Mas a vida não é um filme.
Na vida só há dois caminhos. O do medo ou o do amor. A maioria de nós vive no medo. No medo de perder, acaba por atacar antes de ser atacado, abandonar antes de ser abandonado, acaba por se perder, antes de ser perdido. E num instante tudo muda. De tantas vezes que batemos com a cabeça na porta, acabamos por perceber que não é a porta que está no sitio errado. Somos nós.
E num instante tudo muda. Não há alivio ou paz de espirito comparáveis á de quem encontra a sua identidade e aceita a dos outros tal e qual eles são. Sem esperar nada em troca. E sentimo-nos mais preparados para aceitar e viver a experiência que a vida nos oferece. Podemos ainda não ter, no momento, todas as peças do puzzle, mas já sabemos quais são as que faltam. E num instante, em vez de batermos na porta outra vez, ela abre-se e deixa-nos passar.
2 comentários:
E eu concordo perfeitamente. =)
Gostei muito deste texto. Os sentimentos tramam-nos, de facto... Mas no fim, aprendemos sempre qualquer coisa =)
Exactamente...
E não tens de pedir desculpa, eu gosto sempre de ler o que escreves. Podias comentar com três páginas, que eu não me iria importar. Lia com muito gosto. :)
Beijinho ^^
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