Domingo, 17 de Outubro de 2010




Ando a ter lembranças de infância precoces e muito "psicoterapêuticas"...


Devia ter uns 3 anos e tinha ido passear com os meus pais e os meus tios. Ofereceram-me um balão e eu andava radiante a brincar com o balão para todo o lado. Tiraram-me uma foto muito sorridente com o dito balão. Fomos passear ao campo e eu andava feliz da vida a correr por entre as árvores, até que...o balão deve ter roçado nalgum ramo e...rebentou. Fiquei atónita a olhar para a perda do meu brinquedo e nisto, tanto os meus pais como os meus tios desataram a rir do sucedido e supostamente da minha cara. E só aí, é que eu “abri o berreiro” e lembro-me de ter sentido que não desatei a chorar por o balão rebentar, mas pela reacção familiar. E nisto, começaram a tirar-me mais fotos de eu a chorar com o balão rebentado...Senti-me tão ofendida por se rirem da minha desgraça que não quis cá abraços e beijinhos nem outros balões. Lembro-me de pensar: As pessoas que deviam gostar de mim, são más. Riem-se de mim em vez de me apoiar...nunca mais me esqueci disto. Até porque tenho as fotos para o comprovar.

Devia ter uns 3 anos e tinha ido passear com os meus pais e os meus tios. Ofereceram-me um balão e eu andava radiante a brincar com o balão para todo o lado. Tiraram-me uma foto muito sorridente com o dito balão. Fomos passear ao campo e eu andava feliz da vida a correr por entre as árvores, até que...o balão deve ter roçado nalgum ramo e...rebentou. Fiquei atónita a olhar para a perda do meu brinquedo e nisto, tanto os meus pais como os meus tios desataram a rir do sucedido e supostamente da minha cara. E só aí, é que eu “abri o berreiro” e lembro-me de ter sentido que não desatei a chorar por o balão rebentar, mas pela reacção familiar. E nisto, começaram a tirar-me mais fotos de eu a chorar com o balão rebentado...Senti-me tão ofendida por se rirem da minha desgraça que não quis cá abraços e beijinhos nem outros balões. Lembro-me de pensar: As pessoas que deviam gostar de mim, são más. Riem-se de mim em vez de me apoiar...nunca mais me esqueci disto. Até porque tenho as fotos para o comprovar.

Durante a escola primária, tive um guarda costas. A escola era próxima de uma Casa Pia e do Estudante. E esses meninos mais velhos sem familia, ou também andavam na mesma classe que nós, ou vinham brincar connosco nos intervalos. Como a escola era perto de casa, ás vezes as mães vinham aos intervalos trazerem-nos o lanche. A minha mãe trazia para mim, mas começou também a trazer para esses meninos porque percebeu que enquanto os outros comiam, eles não tinham nem sandes, nem bolachas, nem sumos...Um deles, um dia virou-se para a minha mãe e disse: “Dona (o nome da minha mãe) eu vou ser o protector da sua filha. Ninguém lhe vai fazer mal. Se alguém se meter com ela, eu defendo-a!”. E assim foi até eu sair da primária. Logo nunca tive problemas de bulling...Depois disso, já raramente o via, e nunca mais recebeu os lanches da minha mãe, mas ainda assim, se o encontrava por acaso na rua, vinha imediatamente perguntar-me se estava tudo bem, ou se alguém me andava a importunar...Nunca me pediu nada em troca e sempre rejeitou alguma moeda que outros lhe quisessem dar...Dei por mim a pensar nesse menino, nunca mais o vi, o que terá sido feito dele?

1 comentários:

DarkViolet disse...

A memória consegue cavar o mais profundo dos poços e extrair de lá o que mais assusta ou tirar a magia que nos faz sorrir. São formas de voar, sempre magníficas